O boletim escolar da vinha: o Douro dá nota de A a F a cada parcela — e a escolha do Palato é não entregar a melhor à máquina do Porto
No Douro, nenhuma vinha entra em campo sem boletim.
No Douro Superior, existe uma nota de campo que as grandes casas de Porto usam como mapa do tesouro.
Quanto mais alta a nota, mais uva vira Porto — e durante gerações o Douro Superior viveu de mandar a melhor matéria-prima pras grandes casas.
Só que a nota alta é o resultado de vinhas com mais de sessenta anos e de um calcário que quase não existe no Douro — e num blend de grande casa, tudo isso some.
Foi em Muxagata que o Palato do Côa fez a escolha contrária: engarrafar essa vinha inteira, com o nome dela, com os sessenta anos que levou pra chegar ali.
Abre uma garrafa dessas numa noite que mereça — o que está dentro é exatamente o que a nota mais alta vira quando alguém decide não vender.
A história premia a parcela nota A — altitude, veias de calcário com pH acima de 7 e vinhas velhas — exatamente os fatos que definem o Grande Reserva: lote de vinhas velhas com mais de 60 anos em Muxagata, só engarrafado em anos excepcionais. É o vinho que prova literalmente 'o que essa vinha inteira virou' em vez de ir para a máquina do Porto.
- https://en.wikipedia.org/wiki/Quinta_classification_of_Port_vineyards_in_the_Douro
- https://www.advid.pt/uploads/DOCUMENTOS/Subcategorias/Comunicacao/Regia%CC%83o%20Demarcada%20do%20Douro.pdf
- https://www.ivdp.pt
Do Douro Superior para a sua mesa.
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