Mortórios: os socalcos-fantasma da filoxera — e por que as vinhas velhas de hoje nasceram de uma catástrofe
Tem dez mil hectares de vinha fantasma no Douro — e quase ninguém fala disso.
Tem terras no Douro que foram abandonadas há mais de cento e cinquenta anos, e nunca mais voltaram.
Os muros de pedra ainda estão de pé, mas não tem mais nada entre eles — esses lugares têm nome: mortórios.
Um inseto minúsculo, vindo da América do Norte, atacou as raízes nos anos 1860 e varreu a região inteira.
Quem replantou depois foi guardando castas — e em Muxagata há uma parcela de vinhas velhas com mais de sessenta anos, com dezenas de castas tradicionais juntas.
É dessas vinhas que sai o vinho que a gente serve numa costela de doze horas, com gente que pode esperar.
É o lote de vinhas velhas com mais de 60 anos e dezenas de castas tradicionais misturadas na mesma parcela — a assinatura exacta das replantações pós-filoxera de que a história fala, no Douro Superior onde os mortórios também existem. E o beat final ('um assado que demora') aponta direito aos pratos reais deste vinho: costela de 12 horas, borrego assado.
- https://rsilva.pt/2024/08/17/a-filoxera-e-os-mortorios-do-douro/
- https://www.diariodetrasosmontes.com/noticia/apetencia-pelos-mortorios-e-cada-vez-maior
- https://www.jorgebarefoot.com/2025/01/29/pre-phylloxera-and-post-phylloxera-terraces-in-the-douro-valley-a-story-of-resilience/
- http://winetourismmag.com/heritage-of-the-douro-valley/
- https://www.taylor.pt/en/what-is-port-wine/history-of-port/scourge-of-phylloxera
- https://quintadascarvalhas.pt/en/vinhas-velhas/
Do Douro Superior para a sua mesa.
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